Desenho Técnico

Normalização no desenho técnico

Introdução

Podemos pensar em normalização como sendo uma  racionalização.

O desenho técnico é uma forma de comunicação objetiva, não oferecendo espaço algum, a segundas interpretações. No que lhe concerne, o desenho artístico, pode e muitas vezes é, subjetivo.

A aplicação de normas no desenho técnico, impede que surjam diferentes formas de representação do mesmo objeto, o que o poderia tornar subjetivo; isto não significa que não se possa considerar um desenho técnico uma “obra de arte”, pode ser de facto arte, sobretudo quando realizado à mão, mas não o podemos classificar na categoria das artes plásticas (belas-artes). Note-se que um desenho técnico é uma “obra” eminentemente prática! Mas isso não quer dizer que este não possa conter a informação necessária para a elaboração, por exemplo, de uma obra de arte…

É fácil começar a divagar sobre o tema, não há dúvida, o desenho técnico deve ser objetivo, seguir regras bem estabelecidas, tratando-se de um documento de cariz prático.

As normas

O desenho técnico segue normas estabelecidas internacionalmente (ISO: International Standard Organization). No entanto, cada país possui “comissões técnicas” que transportam as normas ISO, e outras de caráter mais ao menos regional, para a sua linguagem.

Assim, e no caso de Portugal, em termos muitos gerais temos:

  • Documentos normativos Portugueses: (NP);
  • Documentos normativos Europeus: (NP EN);
  • Documentos normativos Internacionais: (NP EN ISO).

Trata-se de uma estrutura bem definida, na qual Portugal deve respeitar as normas europeias e a Europa deve respeitar as normas internacionais, estas abrangem todas as atividades humanas.

As normas no desenho técnico

O desenho técnico segue normas internacionais (ISO), por isso deverá ser interpretado de igual modo independentemente do país ou língua. Por essa razão, é altamente codificado. Imaginemos que colocamos uma descrição textual num desenho, por exemplo:

“O acabamento da superfície deve ser polido ao ponto que os riscos de maquinagem não sejam visíveis”.

Se refletirmos um pouco, rapidamente percebemos que esta afirmação levanta algumas questões:

  1. Quem vai ler o desenho fala Português?
  2. A definição de polido é subjetiva;
  3. quem vai avaliar o acabamento superficial, pode ter problemas de visão;
  4. e outras…

Isto é apenas um exemplo, há muitos outros, alguns deles divertidos:

Num grupo de 3 ou 4 pessoas, tente descrever verbalmente uma caneta sem a mostrar; mas faça-o com grande detalhe, para não escapar nada: forma; cor; material; tudo… Depois, peça ao seu colega para a desenhar. Irá rapidamente perceber que a comunicação verbal é de facto muito primitiva!

Quando a comunicação é escrita, a situação tende a piorar. Mas porquê? Porque é difícil descrever objetos verbalmente! Por outro lado, também não irá conseguir exprimir sentimentos através do desenho técnico.

Como humanos, temos necessidade de várias formas de comunicação para que nos possamos exprimir. A subjetividade surge nas belas-artes; a objetividade surge na matemática e num dos seus ramos, a geometria e precisamos das duas.

Tudo isto para ilustrar que o desenho técnico deve ser objetivo, segue regras muito específicas, precisamente para permitir uma comunicação sem segundas interpretações.

O vídeo que se segue mostra alguns dos aspetos básicos da normalização do desenho técnico. Iremos analisar os primeiros tipos de linha, como também, os elementos necessários para que um desenho técnico possa ser considerado como tal e mais…

  1. Papel para o documento (desenho)
    1. Margem
    2. Legenda:
      1. Identificação da peça/conjunto;
      2. Identificação da empresa;
      3. Código para rastreabilidade;
      4. Identificação dos elementos envolvidos na criação, verificação e aprovação do desenho, como também, a respetiva data de cada um dos acontecimentos.
    3. Escala do desenho;
    4. Matéria-prima:
      1. Fornecedor;
      2. Tratamentos térmicos ou superficiais;
    5. Tolerâncias gerais, princípios de toleranciamento;
    6. Acabamentos superficies;
    7. Tabela várias:
      1. Tabela de revisões;
      2. Tabela de pontos de controlo de qualidade;
      3. Tabela de furos;
      4. outras tabelas.
    8. Ferramentas envolvidas na produção da peça, molde, cunho, cortante, gabaritos e outros;
    9. Lista de peças – no caso do desenho de conjunto;
    10. Outros elementos que a empresa achar necessários à correta definição do produto.
  2. Tipos de linha;
  3. Letras e algarismos para as anotações.

O que não deve constar num desenho técnico:

  • Textos descritivos, por isso não codificados, que podem levar a subjetividade na interpretação;
  • No caso dos desenhos produzidos através de ferramentas CAD, alterações manuscritas não devem existir. Em caso de alterações, estas devem ser realizadas diretamente no sistema CAD, sob pena de serem perdidas, podendo impedir a determinação do apuramento de responsabilidades;
  • Axonometrias, as axonometrias não devem existir quando existe um desenho ortográfico. Sendo isso uma duplicação de informação por isso desnecessárias. O uso destas leva inevitavelmente a uma degradação da capacidade de visualização espacial por partes dos técnicos envolvidos. Assim deve existir apenas uma das representações, sendo a ortogonal superior, pois é a única que permite esclarecer cabalmente o componente.

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